sexta-feira, 2 de junho de 2017

Taça


Taça argárica de argila cozida.

1.) Taça
Taça (do árabe vulgar Tasâ)[1] é um utensílio utilizado com função semelhante à do copo: ou seja, conter líquidos para serem ingeridos. As taças, no entanto, têm formato diferente do copo: costumam ser mais largas, menos profundas e possuir um pé. Além disso, costumam ser utilizadas em ocasiões mais formais e elegantes do que os copos. As taças também servem para premiar agremiações pela conquista de campeonatos e torneios, servindo de troféu ao vencedor.
Uma taça de vinho do porto
Nenhum texto alternativo automático disponível.Ainda que os primeiros recipientes de tipo jarra para se beber cerveja (que é anterior ao vinho) remontem a 3000 a. C., até o II milênio a. C. não se pode começar a falar de taças propriamente ditas.
Durante a Idade do Bronze, a cultura argárica (no sudeste da Espanha) realizou taças com argila cozida.
São objetos característicos dos enxovais funerários da fase avançada da dita civilização.
Romanos e fenícios usavam uma única taça para toda a família, que se colocava na metade da mesa para uso de todos. Devido ao seu alto preço, somente as famílias ricas podiam permitir-se uma, normalmente de luxo e muito pesada.
A situação mudou com a aparição da técnica que consiste em assoprar o vidro, o que fez mais acessível se possuir taças de vidro, ainda que elas seguissem sendo caras e frágeis.
Com o passar do tempo, no entanto, as técnicas evolucionaram e o preço do vidro, e por tanto das taças, baixou.
No Renascimento, se produziram novos desenhos realmente espetaculares, com novos materiais e incrustações. Durante o século XVII, se trocou o vidro por cristal, mais brilhante e mais maleável que este.
Taça para Champagne .
Em 1977, se certificaram as taças para degustação.
A forma, a espessura do cristal e até a cor da taça influem na hora de se degustar o vinho e na percepção que tem o degustador sobre a bebida.
Mitos sobre as taças
Durante a Idade Média, se achava que bastava beber de uma taça feita com o corno (chifre) de um unicórnio para livrar-se do mal causado por qualquer veneno.
Provavelmente a taça mais famosa é a do Santo Cálice (ou Santo Graal), a mística taça que Jesus Cristo teria usado na Última Ceia e a que se atribuem poderes sobrenaturais, tais como curar as enfermidades ou conceder a vida eterna.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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2.) Taças: origens e evolução
Assim como quase tudo que envolve o vinho, essa bebida milenar cuja tradição, cultura e história remetem a tempos imemoriais, o recipiente utilizado para sua degustação, há muito tempo denominado taça, sofreu algumas transformações desde que foi criado, evoluindo através do tempo para atender às necessidades de aprimoramento da produção, do sabor e degustação do néctar dos deuses.
Mitologia e história envolvendo as taças
Segundo a mitologia, o estilo de taça que conhecemos hoje teve origem na Grécia, quando os deuses do Olimpo estavam à procura do recipiente de maior beleza para degustar a sua bebida divina. O encarregado da tarefa foi Apolo, que escolheu a forma dos seios da mulher mais bela, para a criação desse recipiente. Páris, protegido de Apolo, foi designado para a tarefa da confecção do objeto; e ele o fez habilidosamente com alguns metais preciosos tomando como molde os seios de Helena de Tróia.
Existe uma lenda de que Maria Antonieta teria mandado fazer taças com o molde dos seus seios. Até hoje essa taça é conhecido pelo seu nome.
Também há outra história envolvendo a sensualidade e beleza feminina, só que no XVIII, a rainha francesa Maria Antonieta teria ordenado que se confeccionassem taças de porcelana tendo como molde os seus seios. Com isto, a esposa de Luís XVI fez com que o vinho voltasse a ser bebido em taças de forma mais intensa, ditando moda à época. Até os anos 1960 era comum beber champagne na taça coupe, também conhecida como “taça Maria Antonieta”.
Evolução através dos séculos
Nas civilizações da antiguidade, os recipientes utilizados parar o armazenamento do vinho eram construídos de barro. O vinho armazenado em ânforas de cerâmica oxidava muito rápido, dando a ele um gosto amargo e forte.
O recipiente grego chamado Kylix é um dos parentes mais antigos da taça. Tinha o tamanho de uma panela e abas parecidas com as que encontramos em xícaras.
Na antiguidade, como os recipientes de consumo do vinho eram muito grandes (como o Kylix), o vinho era bebido de forma comunitária – todos no mesmo recipiente.
Na hora do consumo, este problema tornava a se repetir, já que os copos e cálices utilizados para a sua degustação eram fabricados com matérias primas frágeis e inadequadas. São curiosos os objetos revelados por incursões arqueológicas que serviam como recipientes para o consumo do vinho. Um desses parentes distantes da taça tinha formato de uma panela com duas abas bem grandes, que ajudava na praticidade de degustação da bebida em festas e comemorações coletivas: passava-se o recipiente cheio de vinho de um convidado ao outro.
O tamanho dos recipientes para o consumo do vinho foi diminuindo ao longo do tempo até chegar à idade média. A tecnologia de fabricação, os materiais utilizados e o formato dos recipientes continuavam semelhantes, apesar da diminuição dos seus tamanhos. A prata já existia, por certo, mas os cálices feitos a partir deste material eram quase todos de exclusividade da igreja. A forma de degustar o vinho também continuava a mesma: em comemorações coletivas e festas religiosas, todos bebiam o vinho na mesma taça, prova de fraternidade e de que não haveria problema algum com a bebida (como por exemplo, envenenamento).
Durante muito tempo o vinho era uma bebida quase que exclusiva de comemorações coletivas e festas religiosas.
Somente na idade moderna é que o vidro começou a fazer parte do universo vinícola, apesar das descobertas de técnicas de sua fabricação e manuseio datarem de antes de Cristo. As cidades italianas tomaram à frente na fabricação do vidro em fins da idade média; no século XV, com a descoberta do cristal, e com a utilização do chumbo pelos ingleses, os recipientes para a degustação do vinho ficaram mais transparentes e menos grossos.

Segundo a arqueologia, o vidro surgiu pelo menos há 4.000 anos A.C; mas seu uso na produção de taças somente se deu na idade moderna.
Com o vidro, as mudanças também aconteceram nos recipientes que armazenavam o vinho, logo, também influência na sua produção e no modo como ele era degustado. Naturalmente, uma coisa foi levando a outra: as garrafas foram aprimoradas, o vinho ficou mais límpido, livre de impurezas, e, por consequência direta destes fatores, as taças mais transparentes e funcionais foram sendo preferidas para a degustação da bebida. E como a variedade de vinhos nesta época aumentou, as taças ganharam formatos e funcionalidades diferentes, atendendo às necessidades de cada tipo de vinho, de cada tipo de região em que ele era produzido.
Na França, a origem de algumas taças estava na necessidade de cada região: em Borgonha foram criadas taças mais abertas e amplas para os tintos, já em Bordeaux, foram criadas com características contrárias a estas.
Foi a partir daí que começaram a evolução das taças como conhecemos hoje. Os cálices utilizados para a degustação do vinho em rituais litúrgicos da igreja católica, que eram elaborados com muitos detalhes e ornamentos, foram se tornando mais funcionais com o passar do tempo, ganhando formatos mais simples, pois começaram a ser utilizados com maior frequência pelo “mundo profano”, acompanhando assim a própria evolução do vinho na sociedade, seu consumo, sua produção, etc. Hoje em dia, as variações nas taças atendem às necessidades especificas de degustação. Mas é consenso geral que a taça tem que ser o mais simples, transparente e fina possível para que seja mínima qualquer interferência entre o vinho e seu degustador.
Para cada tipo de vinho, uma taça
Você pode até não saber (e muitos não sabem mesmo, então não se preocupe), mas escolher a taça certa para cada tipo de vinho é uma tarefa importante e, nem sempre, tão fácil. Nós sempre dizemos que isso não deve ser um impedimento para você tomar o seu vinho ou começar a entrar nesse universo tão amplo e gostoso, mas, de todo modo, reconhecemos a importância dos estudos e avanços das taças.
Assim como há uma enorme diversidade de vinhos no mundo, existe uma variedade significante de taças no mercado. A escolha para um vinho específico não é apenas uma questão de etiqueta ou convenção – se feita de maneira correta, ela irá realçar as principais características da bebida (e isso é fato consumado!) -. Cor, aroma, sabor: tudo isso se torna mais vivo, aguçando ainda mais os sentidos dos apreciadores da bebida dos deuses.
Mas a evolução das taças se deu de forma lenta até bem pouco tempo atrás, sem muitas mudanças no seu design, que obedecia apenas sua utilidade prática de beber. Você pode ver mais sobre esse assunto aqui.
As pessoas realmente não davam importância ao significado que a taça poderia ter na degustação do vinho. Somente no século 20, com os avanços tecnológicos e os estudos científicos na área, descobriu-se que, não somente o formato, como também o material com que cada taça é fabricada, influencia na percepção do vinho. Ainda assim, em alguns países da Europa, como França e Itália, os bistrôs e cantinas servem vinhos em taças simples, que mais se assemelham a um copo com uma haste curtinha. Especialmente os “vin de pay” ou os “vino di tavola” são servidos assim. Uma questão cultural, apenas.
Talvez você já saiba que os gostos específicos (doce, salgado, amargo, etc.) são sentidos por papilas gustativas de diferentes localizações no mapa da nossa língua. Assim, especialistas baseiam as confecções das taças de modo a fazer com que seu formato conduza o vinho ao lugar exato na boca onde suas características principais, como acidez, doçura e sabores, serão melhor apreciadas.
Outros fatores são importantes para potencializar as qualidades da bebida na sua apreciação. Para não alterar a temperatura ideal de serviço do vinho, por exemplo, é necessário que a taça tenha hastes longas, para que se possa segurá-la sem que haja o contato com o bojo. Falando nele, quanto mais aberto, mais realça os aromas. No caso dos espumantes, o formato longo favorece a visualização de suas bolhas e a apreciação de seus aromas que são levados às extremidades com a ajuda das borbulhas.
A famosa marca Riedel fabrica por volta de 400 tipos diferentes de taças, uma específica para cada tipo de vinho e uva da qual é produzido.
Existe uma taça “curinga” no mercado, feita com padrão internacional (ISO) para degustações técnicas, serve para apreciar todo tipo de vinho.
Não se pode perder de vista, contudo, que a experiência da degustação do vinho é particular, não sendo necessário que você tenha uma centena de taças diferentes para poder apreciar um bom vinho. É preciso, sim, entender que essas taças, se bem escolhidas, irão lhe conduzir a uma experiência gustativa mais sólida e prazerosa.
Dito isto, é possível possuir uma variedade pequena de taças em casa e ainda assim experimentar diversos tipos de vinhos. Especialistas aconselham que apreciadores devam ter no mínimo 4 tipos básicos para que não se tenha grandes prejuízos na degustação dos diferentes vinhos existentes no mercado: duas com modelos grandes para tipos diferentes de tintos (Bordeaux e Borgonha), uma taça com tamanho médio para brancos e uma estreita e alta para espumantes.
Para vinhos tintos
Bordeaux
Taça grande feita para beber vinhos mais encorpados e com taninos mais acentuados. Com bojo largo, alongado e boca fechada para concentrar os aromas, evitando sua dispersão. Indicada para apreciar vinhos das uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Syrah, Tannat, entre outras.
Borgonha
Taça arredondada, em formato balão, feita para vinhos concentrados e com menos taninos. Com bojo e boca largos, estimula a apreciação das qualidades mais arredondadas e maduras da bebida. Indicada para vinhos Pinot Noir, Barbera Barricato, Amarone, Nebbiolo, entre outras.
Para vinhos brancos
Taça de corpo médio feita para consumir vinhos em baixa temperatura. Com aba estreita, distribui o vinho de forma uniforme em todas as partes da língua, enfatizando seu frescor, doçura e acidez de maneira equilibrada.
Para espumantes
Taça fina com bojo alto e boca estreita (flute). Mantém as borbulhas por mais tempo, realça e direciona os aromas para o nariz, potencializando sua delicadeza e frescor.

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